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Espaço com Jesus
O Sermão da Montanha, de Carl Bloch

Mateus 7:15-16 · Série “Falsos profetas”, 2 de 7

Lobos com roupa de ovelha e o critério dos frutos

Jesus avisou que a aparência pode ser mansa. Para reconhecer quem vem de Deus, ele mandou olhar os frutos.

· 4 min de leitura

“Tende cuidado, porém, com os falsos profetas, que vêm a vós com roupa de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes. Vós os conhecereis pelos seus frutos. Por acaso se colhem uvas dos espinheiros, ou figos dos cardos?”

Mateus 7:15-16 · BLIVRE

Quase todo mundo já conheceu alguém que parecia perfeito no primeiro contato. Voz calma, sorriso pronto, palavras bonitas sobre Deus. E só com o tempo, às vezes com dor, ficou claro que por trás daquela imagem havia outra coisa.

Se isso aconteceu com você, saiba que Jesus descreveu exatamente essa situação. E não deixou os seus sem saída: deu um critério que qualquer pessoa pode usar, sem diploma e sem medo.

O contexto

No texto anterior desta série, vimos Jesus avisar que muitos viriam em nome dele. Aqui voltamos um pouco no Evangelho de Mateus, ao Sermão da Montanha, o ensino mais longo de Jesus registrado nos Evangelhos.

Ao ver as multidões, Jesus subiu a um monte, sentou-se, e os discípulos se aproximaram. Durante três capítulos, ele falou das bem-aventuranças, do perdão, da oração, da confiança no Pai. Pouco antes deste trecho, ensinou a regra de ouro: tratar os outros como gostaríamos de ser tratados.

Perto do fim do sermão, depois de falar da porta estreita, Jesus mudou o foco. Até ali ele tinha falado de como viver. Agora falava de quem ensina a viver.

O que Jesus disse

Jesus começa com um cuidado: “Tende cuidado, porém, com os falsos profetas”. Repare que ele não diz “fujam de todos os profetas” nem “desconfiem de todo mundo”. Ele pede atenção a um tipo específico de pessoa.

Depois vem a imagem que ficou famosa: gente que chega “com roupa de ovelhas”, mas por dentro é outra coisa. A ovelha era o animal mais comum e mais inofensivo na vida de quem ouvia Jesus. Ninguém tinha medo de uma ovelha. É justamente por isso que a fantasia funciona: ela baixa a guarda de quem olha.

Então Jesus dá o critério: “Vós os conhecereis pelos seus frutos.” E completa com uma pergunta do dia a dia do campo, que qualquer agricultor da época entenderia na hora: ninguém colhe uvas de espinheiros nem figos de cardos. O que a planta é aparece no que ela produz.

Logo em seguida, Jesus desenvolve a mesma ideia:

Assim toda boa árvore dá bons frutos, mas a arvore má dá frutos maus.

Mateus 7:17 · BLIVRE

A aparência pode ser fabricada por um tempo. O fruto não. Ele leva tempo para aparecer, mas aparece.

No original

A palavra traduzida por “vorazes” é, no grego, hárpages. Ela vem da ideia de arrebatar, tomar à força, e era usada para quem rouba ou saqueia. O lobo de que Jesus fala não é apenas perigoso: ele está ali para tirar algo das ovelhas.

Isso ajuda a entender o alerta. O problema não é alguém ter defeitos, pois todos temos. O problema é quem se aproxima do rebanho para tomar dele, em vez de cuidar dele. E “frutos”, no grego karpós, é a palavra comum para o produto de uma árvore ou de uma colheita: o resultado concreto, visível, que se pode pegar na mão.

O que isso significa hoje

Na prática, olhar os frutos é observar com calma como alguém vive e como trata as pessoas. Não o tamanho do público, não a eloquência, não a emoção que provoca. O apóstolo Paulo descreveu como é o fruto que vem de Deus:

Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra essas coisas não há lei.

Gálatas 5:22-23 · BLIVRE

Compare essa lista com o que você vê. Há paciência ou pressão? Há bondade ou cobrança? As pessoas saem mais livres ou mais presas, mais perto de Jesus ou mais dependentes de quem fala?

Talvez surja uma dúvida: o próprio Jesus não disse, no mesmo sermão, para não julgar? Disse:

Não julgueis, para que não sejais julgados.

Mateus 7:1 · BLIVRE

Mas são coisas diferentes. Não julgar é não condenar ninguém, não se colocar no lugar de Deus sobre o destino de uma pessoa. Examinar os frutos é discernir se vale a pena seguir o ensino de alguém. O mesmo Jesus pediu as duas coisas, no mesmo sermão. Examinar não é falta de fé nem falta de amor. É obedecer a ele.

E se você já foi enganado por alguém com roupa de ovelha, não carregue isso como vergonha. A fantasia existe justamente para enganar gente de boa vontade. Jesus não culpa as ovelhas; ele as avisa e cuida delas.

Para refletir

Pergunta: que frutos você vê na vida de quem tem ensinado você sobre Deus?

Um passo para hoje: pegue a lista de Gálatas 5:22-23 e, sem pressa e sem acusar ninguém, pergunte quais desses frutos aparecem no ensino que você recebe. Depois faça a mesma pergunta sobre a sua própria vida. O critério de Jesus serve primeiro para nos aproximar dele.

Temas:

Imagem: O Sermão da Montanha, Carl Bloch (1877). Domínio público, via Wikimedia Commons.

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